quarta-feira, 28 de março de 2007

Falsos seqüestros e falsos alertas na sociedade do medo

A onda de "falsos seqüestros" por telefone é o perfeito exemplo do que se tornou a sociedade pós-PCC, algo similar com que se instalou nos EUA com o pós-11/9. Vivemos uma época, quer dizer, difícil falar em "viver" estes fatos quando eles não acontecem de fato.

Explico: seqüestros que não acontecem atormentam famílias via telefone, que, desesperadas, depositam dinheiro em contas de bandidos a troco de nada. A imprensa supervaloriza fatos diários causando o pânico desnecessário, mesmo o caso não sendo violência. Enchentes, atrasos em aeroportos, coisas do tipo se tornam pautas urgentes do dia e são esquecidas no dia posterior.

Um dos pilares que constituem este novo formato de sociedade é o medo pregado pelo governo norte-americano após os ataques de 11/9. O governo Bush criou um sistema de alertas baseados em cores (azul, amarelo, laranja, vermelho, etc.) que mostram o status do risco de um ataque. No entanto, nunca foram divulgados os critérios para a escolha destes alertas, muito menos o porquê destas medidas.

Geralmente encontramos atitudes deste tipo em governos decadentes. Podemos lembrar que Bush tinha uma de suas piores avaliações antes dos ataques terroristas do 11/9. É visível que a criação de um problema dá uma brecha para que o governo entre a ação e crie uma solução instantânea para para a crise. Neste caso, Bush invadiu o Afeganistão, movimentou sua indústria bélica, e não achou nada. O que se repetiu posteriormente no Iraque. O resultado disso até o momento? Mais mortos no Iraque do que nos ataques de 11/9 e nada de Bin Laden ou armas químicas. A indústria bélica agradece.

Um comentário:

Karen Villerva disse...

Não podemos esquecer que não somente a imprensa é responsável por disseminar estas ondas de caos como os outros meios de comunicação, como e-mails, msn, etc. A quase totalidade de nós já recebeu os alertas de assaltos em estacionamentos, tráfico de órgaõs, etc. Isso tudo também colabora para o clima de terror que vivemos.